Janeiro 22, 2018 Helen Morais 0Comment
Desde 2013 mantenho meus vidros de “conservas” de coisas boas. Foto Silvia Regina Angerami Schibik

Em 2013, naquele aplicativo Pinterest, vi uma foto de um vidro cheio de papeizinhos coloridos. Na descrição da imagem, estava o seguinte texto (em inglês): “Gostei desta ideia. Comece o ano com um vidro vazio e o preencha com notas sobre coisas boas que acontecem. Então, na noite de ano novo, esvazie o vidro e veja quantos fatos incríveis aconteceram naquele ano. Boa maneira de manter as coisas em perspectiva”.

Mudando o paradigma do ano velho

Eu achei a ideia absolutamente sensacional e desde então mantenho meus vidros de “conservas” de coisas boas. Fiz variadas decorações nos vidros e sempre entre o Natal e o Ano Novo tenho um ritual, com a minha neta, a Helena. Abrimos o vidro, lemos juntas tudo o que anotamos de bom naquele ano e agradecemos por tantas bênçãos e graças. A sensação é sempre muito gostosa! A nossa alma fica leve para encarar o novo ano que se aproxima.

Com esse ritual, comecei a entender que estava mais do que na hora de mudarmos a nossa visão sobre o pobre “ano velho”. Perdi as contas de quantas vezes vi a representação do “ano velho” como um idoso barbudo, vestindo uma túnica toda amarfanhada. E ao seu lado, lá estava o “ano novo”: um bebê lindo e gordinho, que só nos traria felicidades. Será?

Nada mais injusto. Por várias razões. Primeiro, porque hoje os idosos não têm mais aquela aparência cansada e desgastada do passado. Hoje, os idosos são senhores e senhoras muito distintos e saudáveis, que podem facilmente chegar aos 90 e tantos anos, com qualidade de vida. Segundo, porque não é justo atribuir ao “ano velho” apenas as infelicidades.

Nós, seres humanos, é que temos a estranha mania de valorizar principalmente o que nos acontece de negativo, em detrimento das pequenas e sutis felicidades do dia a dia. Quando nos lembramos de observar e admirar uma flor ou o céu, nosso coração é preenchido por um sentimento amoroso, que nos nutre. Somos parte de um universo maior. Muitas vezes, quando estamos ligados no “piloto automático”, deixamos de perceber a poesia e a beleza que estão ao nosso redor. Por isso, olhar para o ano velho com carinho e gratidão parece o mínimo que devemos passar a fazer para transformar as nossas vidas.

Sem mimi

Precisamos urgentemente parar de reclamar, de focar nos aspectos negativos, de nos lamentar sobre quão infelizes somos, ou pobres, ou doentes, ou desprovidos de beleza física. Ainda que sejamos tudo isso, se passarmos a colecionar essas pequenas felicidades do dia a dia, vamos perceber que sim, somos felizes, afinal!

Deixando de lado as discussões filosóficas sobre a definição da felicidade, vamos pensar juntos… Eu tenho mania de desejar 1000 felicidades aos aniversariantes. Principalmente no Facebook, quando tem dias em que mais de 5 amigos fazem aniversário juntos. Mas não é por comodismo, não. Eu refleti sobre o assunto. E desejo, de todo o coração, que todos os meus amigos e amigas tenham 1000 felicidades naquele seu novo ano pessoal. Se dividirmos 1000 pelos 365 dias do ano, o resultado será 2,7 felicidades por dia. Podemos considerar feliz uma pessoa que tenha mais de duas felicidades por dia, não é mesmo? Esta é a minha meta para 2018. Quero preencher meu vidro com 1000 papeizinhos.

Não importa o tamanho, mas a felicidade

E as felicidades a serem colecionadas podem ser as mais singelas e variadas. Não precisa ser uma baita felicidade, como um carro novo ou o filho ser aprovado no vestibular (isso também,é claro!). Mas pode ser uma pequena felicidadezinha, como um telefonema (ou uma mensagem no WhatsApp) de um amigo com quem não falávamos há tempos, um por do sol visto com a pessoa amada, um encontro com amigos ou parentes, uma tarde divertida com as amigas… a lista é enorme! Uma vez, eu escrevi no papelzinho sobre o portão eletrônico da minha casa que quebrou, mas a sorte foi que no vizinho de frente estavam umas pessoas justamente consertando o portão eletrônico dele, e nos socorreram. Ou seja, até mesmo situações aparentemente negativas podem ter um desfecho feliz.

Mais um exemplo: outro dia tropecei e levei um baita tombo no estacionamento do supermercado. Mas o que poderia ter sido uma tragédia, com um braço ou uma perna quebrados, resultou apenas em um tombo engraçado. Eu me estatelei no chão, mas não me machuquei. E ainda por cima várias pessoas se aproximaram para me ajudar. Foi para o vidro, claro!

No workshop de Escrita Curativa tem pote das felicidades

Por isso, no workshop de escrita curativa que eu inventei, falo do “pote das felicidades”, ensino a fazer e até dou de presente para os participantes, para que eles se animem a colecionar as coisas boas que acontecem.

 

Me perguntaram, outro dia: e se fizermos um pote com tudo de ruim que nos acontece, ele será muito menor, não é mesmo? Não sei… Disseram que ele poderia ser menor, mas seria mais pesado. Minha sugestão é que se você tem uma lista dessas, o melhor a fazer é queimá-la ou jogá-la em um rio ou no mar. Vamos nos livrar dessa bagagem pesada e negativa e focar no lado bom da vida. Aposto que, ao nos livrarmos dessa tralha inútil, a passagem dos anos será sempre e cada vez mais para melhor.

 

Silvia Regina Angerami Schibik, jornalista e escritora, ghost writer, criadora e facilitadora do Workshop de Escrita Curativa. Desde junho de 2017, mora com o marido em Portimão, no Algarve. Escreveu o e-book Destino Algarve, à venda na Amazon, contando de forma romanceada a aventura de mudar de país pela primeira vez na vida, já beirando os 60.